março 30, 2006

prorrogação

De repente, a chuva começou a cair. Milhões de minúsculas gotas se fizeram sentir nas faces daqueles dois apaixonados. Ele olhou rapidamente para o céu e, puxando-a pela mão, quis trazê-la para dentro de casa. Mas ela ficou imóvel. Sorriu e fechou os olhos. Pediu para que ele ficasse. E a água que caía do céu engrossou. Agora se viam riscos contínuos molhando tudo. Em pouco tempo... os cabelos lambidos, a blusa branca encharcada. Ele olhava tudo com um leve ar de espanto, mas percebeu que a cada segundo que a chuva lhe tocava os olhos, a boca, o peito, os cabelos, sentia-a mais sublime, indescritível. Lembrou dos tempos de criança, mas teve a certeza de que seu prazer de agora não teria comparação alguma com as brincadeiras infantis. Também sorriu. Olhou para aquela mulher com os braços abertos, dançando debaixo da água doce derrubada pelas nuvens, e pensou que existiam muitas coisas ainda que ela precisava lhe ensinar. Adorou pensar em envelhecer com ela. Voltou a abraçá-la. Ela lhe disse:

- Me ame debaixo da chuva. Fomos abençoados.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... 5:17:20

3 comentários:

Mythus disse...

5:17? Que toró da píula!

Adoro caminhar na chuva.

Ainda bem que nessas horas não se sente frio.

Mas se sente fome! Antes, durante e depois. Sempre. Isso não muda.

faissal disse...

Tomar banho de chuva é gostoso mesmo. Principalmente se cai de repente, em meio de um dia de sol, ou ainda num silêncio noturno. Um dia, tava dormindo e acordei com a chuva, feito acordar com passarinho. Corri lá pra fora. Era umas duas da manhã. O vigia passou apitando, todo encharcado. E eu lá, parado, sentindo a chuva. Na hora, tinha dúvida se tava sonhando ainda.

Se o seu não foi um relato, vc anda com a vida dentro da mente. O que é ótimo.

faissal disse...

Vou colar aqui uma "prerrogação" do texto da viola. Ao fundo, Raul Garcia Zarate em sua viola:

Ao som de um preâmbulo

E não tirava dos ouvidos os assobios suaves de uma guitarra chilena, que lhe chorava toda a história de sua vida, de dó a sol, sem si, sem lá, sem mim.

Se tu falas de comida, prefiro a música. Ela alimenta e nem cessa. Ok, ok. Finas fatias, mas se nem separar a gema da clara eu sei, como vou cortar uma fina fatia da música que num cessa. Não solte aquele riso folgado, tou vendo daqui. Agora acho melhor você fechar os olhos e tentar dormir, nem que use um daqueles comprimidos de tarja preta. Da tarja preta nasce um daqueles capetinhas do Michelangelo. Talvez enviado pelo próprio Morfeu. Feu. Eu. Talvez dormindo os dias passem rápido e nos sonhos acaba se resolvendo tanta coisa. Lá não tem destino, dream is destiny. Balbuciarei-vos cada letrinha. Boa degustação.


;)