Enquanto todos bebiam e falavam alto no apartamento, ela pegou o aparelho, os fones e os chinelos e desceu.
A noite tinha acabado de cair. A lua estava baixa, amarela, enorme. Ao sentar à beira do mar, fez Villa-Lobos começar. Todos os acordes pareciam combinar com o cheiro da areia. Passou a respirar fundo e seu coração parecia bater mais lentamente. Era capaz de sentir o peito estremecer no ritmo compassado - acellerando e diminuendo - do Trenzinho Caipira.
Olhou pra lua durante muito tempo. Via aquele reflexo fascinante na água. Imaginou-se boiando naquela mancha branca, recebendo no rosto as palavras alvas do astro. Será que a veria de forma diferente se estivesse ali? Como seria ser duplamente invadida, pela melodia que lhe fazia sentir no meio da floresta e pelo clarão da lua, flutuando sobre as leves ondas daquele comecinho de oceano?
Estirou-se pela areia abrindo os braços. Fechou os olhos. Pôs-se a falar.
Então... agora, sim, dá pra conversar. Agora somos só eu e Você.
3 comentários:
Intimidades provocadas pela lua.
;)
Bem vinda.
A lua sempre inspira, mesmo nesse céu sem graça de São Paulo.
Seja a lua, seja o sol, quando um dos dois estão pertinho do mar são inspiradores - sempre!
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